O Vazio Oculto nas Redes Sociais
Nada do que vou falar é novidade, mas é sempre bom refletir sobre redes sociais e saúde mental.
A mídia na antiguidade, e entenda-se por esse período como sendo outro dia… logo ali, em nosso passado recente, na minha época de faculdade, era uma coisa para poucos. Pertencia ao mundo dos famosos e celebridades, das grandes marcas com milhões de investimento em propaganda, das tragédias e criminosos, que estampavam outdoors, jornais e revistas. O ápice era a TV, que alcançava as grandes massas.
Nesse passado, 15 minutos de fama conseguiam te expor a uma notoriedade volátil e, em alguns casos, lançou fama perpétua a pessoas, casos e situações, fossem positivas ou não. Alguns buscavam aparecer nesses “meios” das formas mais criativas e até bizarras em busca dessa exposição tão fora do alcance dos “reles mortais”, para simplesmente aparecerem… para serem vistos!
Quem é das antigas, vai se lembrar do “Beijoqueiro”! ele fazia qualquer coisa pra aparecer.
Em casos mais frustrados, como de alguns reféns de paparazzis de plantão, expunham o avesso de tudo que era privado e quantas vezes gravaram rótulos, que até hoje deixaram suas marcas e cicatrizes.
Um caso mais atual é o da atriz americana Lindsay Lohan, que ficou marcada e rotulada negativamente pela exposição de sua vida privada e problemas emocionais, que só se agravaram com a mídia no seu pé.
A Capilarização da Nova Mídia Virtual
Com a velocidade e alcance que a tecnologia nos proporcionou, e com o surgimento das redes sociais, esse conceito mudou, mas não muito. Hoje temos blogueiros, influenciadores, YouTubers, Tiktoquers e outros que são como as celebridades de antigamente.
O “meio”, a “mídia” não é mais a mesma. Ela se diluiu em formas acessíveis a qualquer um e se capilarizou por finas redes que caminham paralelamente às grandes mídias de antes, entrando mais diretamente ainda na vida das pessoas: em seus computadores, notebooks, em seus celulares, ou seja, está presente o dia todo na palma da mão e em qualquer local paradisíaco que alcance um sinal de wi-fi.
Parece que a velha mídia perdeu força? Não, ela se fortaleceu em seu alcance e se tornou ainda mais poderosa… a velha mídia ainda traz seus conceitos e vende suas imagens, mesmo que seu glamour tenha sido diluído, porque a mídia virtual segue sua escola em ditar tendências e comportamentos.
A nova geração talvez não entenda o que representava assistir ao lançamento mundial da nova propaganda da Pepsi com o Michael Jackson… mas entende que é muito importante ter não sei quantos mil seguidores no seu Instagram ou Tik Tok! E é a mesma coisa! A vida sendo avaliada e metrificada pelo que vem de fora.
O que acontece, aos meus olhos, é que tudo o que a mídia da antiguidade pregava era recebido como verdade absoluta… e hoje, ainda ocorre da mesma maneira em todos os “novos” meios. Antes, comprava-se determinados produtos, argumentos de celebridades e julgamentos de grandes jornais para se vestir da imagem que eles “vendiam”. Nas redes, o mesmo acontece, vemos pessoas seguindo outras para se parecerem com elas e se sentindo como se vivessem a mesma vida que seus ídolos. Mas cada Ser não deveria gostar de ser único como é? E não uma cópia de outro Ser?
Não há como negar o poder da mídia e a força que ela tem e não é a mídia a vilã desta reflexão. A exposição massiva das mensagens e conceitos “vendidos” antes só mudou de locutor e os mecanismos psicológicos de querer pertencer a um grupo ou imagem ainda existem e sempre existirão. A ideia de se vestir de algo para se sentir como tal é inerente às artimanhas da mente. A vilã desta reflexão é a alienação daqueles que se perdem nesse mar virtual e não conseguem encontrar caminho de volta para si mesmos, para seus Eus reais.

O Falatório Ensurdecedor de um Mar de Pessoas Solitárias
Para tudo sempre há vários ângulos de análise e nem tudo é positivo ou negativo puramente. Não existe verdade absoluta e as combinações de pequenas alterações nesse ângulo de visão nos levam a reflexões muito diferentes.
Mas, nesta minha reflexão sobre redes sociais e saúde mental, o ângulo que tomo é o que combina o poder do alcance da mídia como distribuidora de informação, a velocidade da tecnologia e os eternos mecanismos psicológicos que confrontam a imagem externa com a realidade interna… ou seja: como me mostro versus como sou de verdade e talvez nem saiba que sou, porque a alta exposição das redes me leva a espelhar tudo e todos que eu gostaria de ser.
Eu mesma, agora, de dentro desta minha caixa com um furo (meu computador ou celular), que me conecta ao mundo externo e virtual, em um único ângulo que é o que eu enxergo… vejo um falatório ensurdecedor deste mar de pessoas solitárias, que:
- “Seguem” fragmentos: formam uma imagem de como desejam que o mundo as veja, seguindo várias pessoas que gostariam de ser e se convencem de que são assim apenas por segui-los, verdadeiros “Frankensteins perfeitos” 👻 E se esquecem de construir um caminho de evolução para realmente desenvolverem suas próprias habilidades.
- Transformam o “status”: no seu “Anjo bom” onde publicam as ações que gostariam de receber reconhecimento, elogios e às vezes, até criam essas situações pontuais para terem o que postar 😯 Mas, e se ninguém estivesse “vendo no status”, será que faria?
- Postam nas redes: como se o post fosse o “Grilo Falante do Pinóquio”, sua consciência… e trocam os pensamentos mais íntimos e impulsivos, já que essa fala da consciência é tão solitária e ninguém ouve mesmo! E se alguém ouvir e a pessoa não gostar da resposta, vai lá e apaga!
- Fazem “check-in”: a cada passo de seu dia tão cheio, na esperança de que alguém acabe com seus vazios encontrando-os? Parecem sinalizar o tempo todo: “ei, agora estou aqui, viu!”
- “Curtem e descurtem” tudo: o que desejariam falar para alguém, com a certeza absoluta de que a tal pessoa vai ouvir: “😉❤️ essa foi para você! 😠😈” Mas não há uma interação verdadeira nem vínculo real desenvolvido, apenas reação impulsiva para alívio imediato.
- “Compartilham” suas ideologias: e protestos num alívio imediato de consciência e… ufa! Sentem-se “altruístas e humanitários” e podem voltar para sua vida umbilical. Sem terem feito nada de efetivo para a humanidade, mesmo que tivesse boas intenções a energia já se dissipou na manifestação virtual.
- Deixam “comentários” sem pudor: que me remetem a um cortiço italiano cinematográfico: pesadas matronas gritam de suas janelas insultando a estrangeira que mora do outro lado da rua, e ela mesma (a estrangeira-alvo) nem ouve nada! Porém, as criancinhas pequenas, que circulam inocentes por ali, ouvem tudo e vão seguir repetindo o exemplo… chego a sentir o cheiro da “falta de saneamento”.
E é assim que me preocupo com redes sociais e saúde mental: o uso inconsciente e seus impactos negativos.
Vejo um mar de pessoas cheias de dores, cada vez mais se machucando por buscarem auxílio nas sombras, escondidos em suas caixas, simulando e dissimulando vidas que não vivem… e, ao não serem “vistos”, fecham-se, a cada clique, um pouco mais. Isolamento disfarçado de interação.
Vejo outro um mar de pessoas cheias de dores que acreditam terem achado no furo de suas caixas o seu eu, sua identidade há tanto tempo perdidos ou nunca antes encontrados… ali fora, dentro do mundo virtual. Identificação com o o irreal – alienação.

O Papel do Terapeuta Humano frente ao Divã Virtual
Mas… para tudo há sempre uma outra visão, sempre há uma exceção. A verdade nunca é absoluta nem imutável. Então, tudo isso que digo pode ser que não seja assim!
E, claro! Tenho plena consciência de que estou usando o mesmo meio, a mesma mídia como um divã! “Gorfando” o que não digeri. Tenho consciência de que falo sozinha daquilo que eu acredito. E mesmo que alguém leia esse texto, vai entendê-lo de uma forma totalmente diferente da forma como eu o pensei.
E como fica isso para mim? De dentro da minha caixa e como dizia meu professor de Psicologia: “— Tá tudo bem!” Porque eu não quero mesmo provar nada para ninguém! Só gorfei! Mas, você pode usar meu desabafo como uma reflexão : você está lidando com seus sentimentos e emoções na vida real ou somente na virtual?
Ainda em tempo: o divã a que me refiro é aquele que simboliza a busca do Ser em seu autoconhecimento, a busca do crescimento e da cura de suas dores e temores, da cura de sua alma.
Esse divã deveria ser o do Terapeuta Humano, que vive de ouvir tudo isso e presta atenção em cada palavra jogada, com todo respeito, sem julgamentos, sem máscaras e ainda ajuda a encontrar caminhos reais para a solução!
E usando a tecnologia a nosso favor, o Terapeuta hoje, pode até ser virtual, mas é ele que pode, verdadeiramente:
- Ser a AUDIÊNCIA desse falatório jogado na rede,
- Dar VIEW com olhar atento aos que não são vistos,
- Ser o sincero COMENTÁRIO em orientação para o autoconhecimento,
- Te ajudar a melhorar o STATUS de relacionamento consigo mesmo,
- Te acompanhar nessa jornada de mudar o seu STORIES, preenchendo o vazio da alma,
- E com certeza, você vai CURTIR!

Olá, eu sou Márcia Freitas. Sou Terapeuta (CRTH-BR 13678), Publicitária, eternamente Mãe e Aprendiz. Minha jornada profissional e pessoal é movida por uma busca constante pelo Despertar. Ao longo da minha vida, dediquei-me profundamente ao estudo da Comunicação, Psicologia, Filosofia, Religiões e Simbologias, saberes que hoje integram a base do meu trabalho clínico e do conteúdo que compartilho aqui.
